PARASHAH DA SEMANA
TETSAVÊ (Ordena)
Êxodo 28:31 - 29:18
O Eterno nos ordena fazer ou “oferecer” o melhor da nossa vida, mas na realidade quando Ele pede algum objeto precioso
e puro, cujo objetivo é simbolizar o que realmente devemos ser para
Ele, ou ainda, uma prova se realmente estamos dispostos a oferecê-Lo o
nosso melhor. Nosso bom proceder de forma espontâneo à sua Vontade
supera em todos os sentidos as coisas que o Eterno ordenou, portanto
aquilo que Ele nos ordena é o instrumento que indicará quem realmente
somos ou de quem somos. Nossa obediência ao Eterno supera qualquer
riqueza física deste mundo.
O
Tabernáculo, os seus utensílios, as liturgias, as vestes do Cohen Gadol
(sumo-sacerdote) e dos cohenim (sacerdotes) com todos os minuciosos
detalhes de cada item expressa algo muito sublime e além do que é visto
da forma superficial que não devemos deixar passar despercebidamente,
mas visionar nas suas profundezas o seu sentido real, pois será
essencial para o nosso crescimento espiritual. Aplicaremos como suporte algumas fontes rabínicas para fortalecer o aprendizado:
...azeite de oliva puro, batido 27:20 – Batido
ou macerado, produto da primeira pressão. A Torá prescreve que o azeite
mais puro é o que deve ser usado para Menorá, e o Midrash comenta
que, regra geral, o azeite que se utiliza para os alimentos costuma ser
melhor, deixando a sobra para a iluminação. Aqui acontece, entretanto,
tudo ao contrario. As primeiras e mais puras gotas do azeite são
destinadas a Menorá, e a demais, às oferendas de cereais. Esta é uma
peculiaridade do povo judeu: as necessidades corporais consideram-se
como de segundo plano em relação às espirituais...
... diante do Eterno – “Dono do mundo!”-
disseram os israelitas.- “Tu que estendes a luz sobre toda a terra, nos
ordenas iluminar Teu Tabernáculo; como iluminaremos a Quem criou a
luz?” “ não é para Mim – respondeu Deus – “ que acendereis a lâmpada,
porem para a gente que ainda permanece na escuridão, a fim de que estes
sejam iluminados e conheçam o Criador. Quando as luzes brilharem na
Minha morada,os povos estranharão e perguntarão: - Em honra de quem
Israel ilumina o Santuário? E responderão: em honra Daquele que ilumina
tudo.” (Midrash (Ialcut 378).
... estatuto perpetuo –
Para alimentar as luzes,diz o Midrash (Shemot Rabá 36), teriam que
empregar puro, pois o azeite simboliza o povo de Israel. O azeite não se
mistura com os outros líquidos; assim Israel, dispersado nos quatro
cantos do mundo, não se deixar absorver. O
azeite nada sempre na superfície; também Israel não pode permanecer por
baixo, tende sempre a subir; e quando o vêem embaixo, no fundo do
abismo, perdido para sempre, de repente aparece à superfície, conforme o
azeite puro de oliveira!
...lugar da santidade 28:29 –
Três motivos devem orientar a construção de uma Casa de Deus: 1) o
motivo religioso, o laço de união entre o homem e Deus,simbolizado pelo
pastor e o rebanho; o judeu, quando entra na sinagoga orando a Deus, não
se sente como ovelha perdida, mas sim como um ser vivo protegido por um
fiel e carinhoso pastor; 2) o motivo educativo –cultural: a sinagoga
deve divulgar a sabedoria judaica, o pensamento judaico; 3) e,
finalmente, o motivo nacional: a sinagoga é um Bêt Kenésset, a casa que
congrega gente judaica, fortalecendo nela o sentimento de pertencerem ao
povo de Israel, ao Bêt Israel, à casa de Israel,filhos do mesmo Pai.
Esta é a coisa que lhes farás para santificá-los, para me servir 29:1 - Este
capitulo trata, principalmente das vestes sacerdotais e das cerimônias
da congregação de Aarão e seus filhos. Aarão chegou a merecer pelas suas
grandes qualidades morais o cargo de sumo-sacerdote. Segundo o Midrash
ao se escolher uma pessoa para exercer a função de chefe espiritual,
leva-se em conta se este corresponde à sua geração, se sabe elevar-se
com o povo e descer com ele. O profeta Samuel não faria grande coisa na
geração de Jefté (vide Juizes 11): este, tampouco servia para a
geração de Samuel. O rabino não deve ser inferior ao espírito de sua
geração, nem demasiado superior a ela, nem fanático demais a tal ponto
que o povo não possa ser conduzido por ele. Quando os israelitas pecaram
com o bezerro de ouro, disse Deus a Moises: “ Anda, desce (da
montanha)” cap.32:7, querendo
dizer com isso: desce de sua grandeza, pois quando o povo desce, o
dirigente deve descer com ele para depois fazê-lo subir ao bom caminho.
... e os farás vestir as túnicas 29:8 –
havia três classes de Bigdê Kehuná (vestimentas dos sacerdotes). O
Cohen (sacerdote) comum vestia túnica, calças, mitra e cinto. Além das
quatro citadas, o Cohen Gadol (sumo-sacerdote) vestia manto, efod,
peitoral e lamina de ouro. No Iom Kipur (Dia do Perdão), Cohen Gadol
vestia quatro roupas brancas de linho: túnica, calça, cinto e a tiara.
Os sacerdotes andavam descalços sobre o chão do Templo, porque era
proibido que houvesse separação (Chatsitsa) entre os pés e o chão, pois
este era considerado sagrado.
... E degolarás o novilho 29:11 –
O Midrash narra uma discussão interessante entre famosos Tanaim
(mestres da Mishná), que indagavam qual é a máxima de mais profundo
significado da Torá. Bem Zoma disse: Shemá Israel (“Ouve Israel!”- Deut.
6:4), este lema é a expressão judaica; Bem Nanás opinava: “ E amarás o
teu próximo como a ti mesmo”- Lev. 19:18): este preceito é muito mais
expressivo que o Shemá. Enquanto Bem Passi argumentava que “Um cordeiro
oferecerás pela manhã” – Ex. 29:39, logo a seguir), representa a
quintessência do judaísmo. Levantou-se Rabi Iehudá Hanassi, o compilador
da Mishná e decidiu: concordo com a opinião de Bem Passi. È fácil
compreender a razão desta discussão. Os mestres quiseram analisar,
através de uma polêmica construtiva, qual é o motivo mais forte e mais
importante que sustenta o judaísmo. Bem Zoma baseou a sua afirmação no
fator religioso: Shemá Israel,querendo com isto expressar a sua
convicção de que a crença num único Deus, a fé judaica, são e serão para
sempre os alicerces da nossa continuidade. Bem Nanás opinava que a fé
sem a Torá não pode garantir o nosso Kiyúm, a existência judaica, e por
isso argumentou com “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, pois o seu
mestre, o mártir Rabi Akiva, baseado em Hilel, disse: “A regra pilar da
Torá é o amor ao próximo”), fazendo entender que viver dentro do
espírito dos preceitos da Torá, é superior à Emuná, fé. Bem Passi foi
mais além e manifestou a importância da força da união: sem Achdút /
sacrifício não há garantia para a nossa continuidade. O cordeiro
ofertado diariamente durante a serviço Divino matutino, Corbán Tamid,
era adquirido pela contribuição do meio Shekel, oferecido anual e
obrigatoriamente por cada judeu, como demonstração da sua ligação com o
povo de Israel. A verdadeira salvação, a definitiva redenção e a
absoluta garantia do nosso Kiyúm, existência e do Hemshéch, continuidade
do povo de Israel, só surgirá se a fé e a Torá se congraçarem com os
sentimentos nacionais, quando todos os filhos de Israel se unirem em
torno de um grande e elevado ideal, quando todos nós reconhecermos e
sentirmos que somos irmãos, filhos do mesmo Pai, e que o segredo da
nossa eternidade consiste em: Cudshá Berich Hu, Oraitá veIsrael Chád Hu (
“ O Santíssimo, abençoado seja, a Torá e o Povo de Israel formam uma
unidade inseparável e indelével.”) (MD)
Shabat Shalom Lekulam (Sábado de Paz para todos)!
Fonte Auxiliar: Torá da Livraria Sêfer.








