Parashá Vayicrá/ E Ele chamou
Vayicrá/ Lev. 1: 1 – 6:7
Yeshaiahu/ Isaias 43: 21- 44:23
Tehilim/ Sl. 50
“E CHAMOU o SENHOR a Moisés, e falou com ele da tenda da congregação, dizendo:
Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de gado vacum e de ovelha.
Se a sua oferta for holocausto de gado, oferecerá macho sem defeito; ? porta da tenda da congregação a oferecerá, de sua própria vontade, perante o SENHOR.” Vayicrá/ Lev. 1: 1-3
Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de gado vacum e de ovelha.
Se a sua oferta for holocausto de gado, oferecerá macho sem defeito; ? porta da tenda da congregação a oferecerá, de sua própria vontade, perante o SENHOR.” Vayicrá/ Lev. 1: 1-3
Os
nomes que os livros da Torá adquiriram são as suas respectivas
primeiras palavras: Bereshit quer dizer “no princípio”, Shemot, “E estes
são os nomes”; Vayicrá, “E Ele chamou”; Bamidbar, “no deserto”, e
finalmente Devarim, que dizer “Estas são as Palavras”; no judaísmo tudo
faz sentido, mesmo que não entendamos, mas por trás da falta de
entendimento de tais assuntos ou preceitos existem em si um profundo
ensinamento: todos nós somos limitados de conhecimento, por mais que a
buscarmos, sempre teremos dúvidas, portanto devemos reconhecer esse
vazio que há em nós e apontar para o D’us Onisciente, que sabe todas as
coisas.
Observe
quão maravilhoso e profundo ensinamento nos trás quando unimos a Torá
em nossa vida: No Principio (Bereshit) éramos vazios sem a Luz Divina
(desobedientes a Torá da verdade), portanto não tínhamos nomes, éramos
desconhecidos por D’us, afastados da Comunidade de Israel; após essa Luz
(Torá) habitar em nossos corações, passamos então, a ter nomes (Shemot)
de filhos e filhas de Jacob, principalmente para aqueles que não eram
seus filhos, mesmo que sejam rejeitados pela nação de Israel, mas o D’us
de Yakov nunca os rejeitará (Is. 63: 16), porque se prontificaram e se
sacrificaram a pertencê-Lo, por isso que terão nomes melhores que os
próprios filhos e filhas (Is. 56:1-6); por conseguinte o Eterno nos
chamou (Vayicrá) para fazer um voto de submissão a sua Torá/ lei mesmo
que lhes custe a vida; é sobre isso que iremos comentar, mas antes quero
contar uma história que ocorreu com o Rabi Amnon:
“Há
mais de oitocentos anos, vivia na cidade de Mainz um grande homem. Seu
nome era Rabi Amnon. Era um grande sábio e um homem muito piedoso. Amado
e respeitado tantos pelos judeus como pelos não-judeus, seu nome era
conhecido até longe da cidade em que vivia. Mesmo o duque de Essen,
governante daquelas terras, admirava e respeitava Rabi Amnon por sua
sabedoria, erudição e piedade.
Várias vezes o duque o convidou ao palácio, a fim de consultá-lo sobre assuntos de Estado.
Rabi
Amnon nunca aceitou nenhuma recompensa pelos serviços prestados.
Todavia, às vezes, Rabi Amnon pedia ao duque para abolir alguns decretos
e restrições contra os judeus naqueles tempos e, em geral,
possibilitar-lhes viver em paz e segurança. Estes eram os únicos favores
solicitados ao duque pelo Rabi Amnon, que nunca lhe foram negados.
Assim, Rabi Amnon e seus irmãos viveram felizes durante muitos anos.
Com
o passar do tempo, outros homens do Estado passaram a invejar Rabi
Amnon. O mais invejoso de todos era o secretário do duque, que não
suportava ver a distinção e o respeito que Rabi Amnon tinha por parte de
seu senhor e que, rapidamente, se transformara numa grande amizade. O
secretário começou a procurar meios para desacreditar o Rabi aos olhos
do duque.
Certo
dia, o secretário disse ao duque: ‘Senhor, por que não persuade Rabi
Amnon a se tornar cristão como nós? Tenho certeza de que, considerando
as honras e favores de suas mãos generosas, ele abandonará com prazer
sua fé e aceitará a nossa. ’
O
duque considerou esta idéia. Quando Rabi Amnon veio ao palácio no dia
seguinte, o duque lhe disse: ‘Meu bom amigo, Rabi Amnon, sei que o
senhor foi leal e devoto para comigo durante muitos anos. Abandone sua
fé e torne-se um bom cristão como eu. Se o fizer, eu o tornarei o maior
homem do Estado; você terá honrarias e riquezas como ninguém mais e
será, depois de mim, o homem mais poderoso de minha terra... ’
Rabi
Amnon empalideceu. Por um átimo, faltaram-lhe as palavras para
responder ao duque, mas após um instante disse: ‘Ó, ilustre governante,
durante muitos anos o servi lealmente e o fato de eu ser judeu de forma
alguma diminuiu a minha lealdade para convosco ou para o Estado. Ao
contrário, minha fé me obriga o ser leal e devotado à terra onde vivo.
Estou pronto e decidido a sacrificar tudo o que possuo mesmo a minha
vida, por vós e pelo Estado. Há alguma coisa, contudo, da qual nunca
poderei desistir- minha fé. Estou ligado por um pacto inquebrável à
minha fé, à fé de meus antepassados. Quereis que eu traia meu povo e meu
D’us, desejareis um homem para servir-vos que não tenha respeito por
sua própria religião, pelas amarras que considera as mais sagradas? Se
eu trair meu D’us, podereis vós doravante confiar que não vos trairei?
Decerto o duque não poderá querer isto. O duque está gracejando!’
‘Não, não...’ – disse o duque, parecendo um tanto inseguro, pois,intimamente, ficara impressionado com a resposta do Rabi.
Rabi
Amnon teve esperanças de que o assunto estivesse encerrado, mas, quando
chegou ao palácio no dia seguinte, o duque repetiu seu pedido. Rabi
Amnon ficou muito triste e começou a deixar de freqüentar o palácio, a
menos que fosse absolutamente necessário.
Um
dia, o duque, impaciente por causa da obstinação do Rabi Amnon, foi
muito contundente. Ou Rabi Amnon se tornaria cristão imediatamente ou
sofreria as conseqüências...
Pressionado
para responder imediatamente, Rabi Amnon finalmente implorou ao duque
que lhe concedesse três dias para refletir sobre o assunto.
O duque concedeu-lhe este pedido.
Tão logo o Rabi deixou o palácio, percebeu seu grave pecado.
‘Amado
D’us’- pensou ele- ‘o que foi que eu fiz? Será que me falta fé e a
coragem por ter pedido três dias para considerar os fatos? Como posso
ter mostrado tamanha fraqueza, mesmo por um momento? ‘Ó D’us
Misericordioso, perdoai-me... ’
Rabi
Amnon chegou em casa com o coração partido. Retirou-se para seu quarto e
passou três dias seguintes em orações e suplicas, implorando a D’us
perdão pela fraqueza demonstrada, mesmo se por um só momento.
Como
Rabi Amnon não chegasse ao palácio no terceiro dia, o duque ficou
furioso e ordenou a seus homens que o trouxessem acorrentado.
O
duque quase não reconheceu Rabi Amnon, tanto mudara este homem
venerável durante os últimos três dias. Todavia, o duque afastou
qualquer sentimento de simpatia que poderia sentir pelo seu antigo amigo
e disse-lhe rispidamente: ‘como ousa desrespeitar a minha ordem! Por
que não compareceu no devido tempo perante mim, para me dar a resposta?
Pelo seu bem, eu espero que tenha decidido me obedecer. Caso contrário,
será pior para você...’
Embora Rabi Amnon fosse agora um homem quebrado fisicamente, seu espírito era mais forte do que nunca.
‘Majestade’
– respondeu-lhe Rabi Amnon sem medo- ‘não pode haver outra resposta a
não ser que eu devo permanecer um judeu leal, enquanto puder respirar!’
O
duque ficou fora de si e disse: ‘Agora a questão é mais grave, que o
fato de se tornar cristão. Você me desobedeceu por não ter vindo
voluntariamente para me dar a sua resposta. Por isto, você deverá ser
punido... ’
‘Majestade’ - Rabi Amnon lhe disse- ‘por ter pedido três dias para refletir, cometi um grave pecado perante meu D’us. ’
Essas palavras corajosas enfureceram mais ainda o duque.
‘Por
pecar contra o seu D’us’- disse o duque com ira- ‘que Ele o castigue.
Eu devo castigá-lo por você ter desobedecido minhas ordens. Suas pernas
pecaram contra mim, por terem se recusado vir a mim; portanto, que sejam
cortadas as suas pernas!’
Havia
apenas um fraco sinal de vida no corpo desprovido de pernas do Rabi
Amnon, que foi enviado à sua casa, à sua família estarrecida... ”(Fonte:
Livreto” O som do Shofar” autor Rabino Yossi Alpern).
Esse
episódio nos inspira para lutar contra tudo aquilo que interfere nossa
conexão com o D’us de Abraão. Não faz nenhum sentido desertar nossa fé
genuína judaica para aderir esse cristianismo paganizado! Temos é que
evoluir na fé, aceitando o Mashiach prometido, conforme as Sagradas
Escrituras, jamais aceitar uma religião que contraria os princípios da
Torá.
Quanto
pagaremos para abandonar tudo aquilo que não agrada ao Criador? Aqui na
realidade não se trata de dinheiro, mas sim do nosso “sacrifício
devocional pessoal”; infelizmente quando se trata de apresentar um voto
de servidão ao Eterno por meio de sacrifício a maioria das pessoas
começa a buscar infinitos obstáculos para dificultar mais ainda a
concretização desse voto; mas por outro lado, elas estão dispostas até
perder a saúde para alcançarem os seus “ideais”, seus planos, obtendo
somente coisas temporárias. Exploram-se com todas as suas forças em
virtude a objetos que não geram virtudes. Não devemos desprezar nossos
bens, mas os tais não devem nos administrar e nem tê-los como prioridade
da nossa vida. Na realidade não temos nada neste mundo, porque se
realmente tivéssemos daríamos para a morte em troca da nossa alma.
Nesta
parashá o Eterno nos orienta a oferecê-Lo sacrifício perfeito (iremos
estudar com mais detalhes neste estudo) para que sejamos aceitos por Ele
para a nossa expiação. Era o único recurso viável e representativo ao
Soberano Sacrifício para recebermos o “perdão dos nossos pecados”;
cremos piamente que, segundo as Sagradas Escrituras, Yeshua Hamashiach/
Jesus o Messias, varão judeu sem defeito, foi quem realmente levou sobre
si os nossos pecados (Is. 53:4, 13), que na essência aqueles animais em
si não tiravam os pecados dos israelitas (Heb. 10:1-7), mas nos dias da
implantação da Nova Aliança por intermédio de Yeshua, Rabenu Gadol,
profetizada por Yrmiahu/ Jeremias 31:31-33 o Eterno perdoaria os nossos
pecados e não mais lembraria dos mesmos.
Irei
usar como base para nos aprofundar mais ainda sobre está parashá
algumas fontes rabínicas, facilitando assim o nosso crescimento
espiritual:
“E chamou 1:1 – Os
comentaristas da Torá, que encontrou em cada palavra, às vezes em cada
letra, pontos de apoio para os seus ensinamentos éticos, chamam a nossa
atenção para a palavra Vayicrá com que começa este livro. Não apenas nos
livros impressos, mas também na própria Torá/ Rolo, a última letra da
primeira palavra- a letra Alef- é minúscula/ pequena, dando-nos neste
contexto duas belíssimas lições: 1) O prazer e a alegria de oferecer
algo deve ser ensinado mesmo às crianças pequenas na mais tenra idade.
Se ela é favorecida pela sorte e tem muitos livros ou brinquedos, deve
aprender a dar aquilo que possui a mais ao seu amigo ou amiga e a um
pobre que não tem nada ou muito pouco; 2) Que cada Alef- e a letra Alef
vale um- cada qual, mesmo com recursos muito limitados, não se pode se
excluir nem esquivar de contribuir, na medida de suas posses para
objetivos nobres e caritativos. O homem de fato aprecia o valor das
coisas pelo tamanho e quantidade, mas D’us considera as nossas ofertas
pelo sentimento que as acompanha, e muitas vezes só a boa intenção já
equivale a uma boa ação.”Uma boa intenção que produz proveito, D’us
considera-a como se fosse praticada.” Porque o homem só vê os olhos,
enquanto D’us vê o coração, e é o coração, o sentimento, a intenção que
D’us deseja.
Sacrifício ao Eterno 1:2
A Torá enumera aqui as leis dos sacrifícios e a missão dos sacerdotes
(cohanim). Seria um grande erro confundir estes sacrifícios com os dos
pagãos da antiguidade, os quais faziam com os seus sacrifícios descer as
suas divindades ao nível das paixões humanas atraindo-as em seu favor, e
praticar algumas vezes atos abomináveis; ao passo que os sacrifícios
mosaicos têm como base a adoração do Eterno, agradecer Suas bondades,
pedir perdão por uma falta cometida involuntariamente ou por uma falta
voluntária após tê-la reparada. Os sacrifícios dos israelitas tinham que
ser acompanhados pela Cavaná (intenção) de voltar ao bom caminho e,
geralmente por uma prece.
é uma oferta de elevação 1:13 – No
sacrifício chamado Olá, a oferta era queimada completamente no altar
(menos o couro no caso da oferta de elevação privativa, que pertencia ao
Cohen/ sacerdote). Este sacrifício vinha acompanhado de uma oblação
(Minchá) de farinha misturada com azeite, e de libação de vinho
(Néssech). A palavra Olá significa subir; o
sacrifício subia a D’us quando expressava fidelidade e sinceridade. A
oferta de elevação exigia um animal (novilho, carneiro ou bode) macho
sem defeito. Estes animais podiam ser substituídos por pombos, rolas ou
flor de farinha de trigo, segundo a situação financeira do ofertante.
Oferta queimada – O
famoso moralista e filosofo Rabi Bachiá Ibn Iossef Pakuda, explica que a
razão de a “Olá” (oferta que deveria ser queimada totalmente no altar)
ser o primeiro sacrifício tinha por objetivo perdoar antes de qualquer
coisa os maus impulsos do coração e os perversos pensamentos; o coração e
os pensamentos são os dois maiores propulsores de persuasão, pois toda
ação tem a sua origem numa idéia; e enquanto o homem não for capaz de
reprimir os seus maus impulsos nem de conter os seus pensamentos
desprezíveis, todos os seus sacrifícios materiais serão considerados aos
olhos do Eterno como uma blasfêmia.
Aceita com agrado pelo Eterno – A
respeito da introdução dos sacrifícios no culto judaico, existem
profundos desacordos na literatura rabínica entre os maiores mestres.
Maimônides (1135-1204), por exemplo afirma que o objetivo elevado dos
sacrifícios era desacostumar o homem pouco a pouco dos usos e praticas
do seu antigo meio ambiente e que o objetivo desse serviço era evitar
que os filhos de Israel sacrificassem seus filhos á idolatria, como a
praticavam os egípcios e os cananeus, povos em cujo ambiente o povo de
Israel viveu durante séculos. O Midrash é da mesma opinião, afirmando: “
Como povo santo (Goi Cadósh) que são, vocês não podem imitar este
abominável serviço idolatra que observaram entre os povos da sua
convivência”. Nachmânides (1194-1270) rejeita a explicação de Maimônides
e afirma que o alvo básico do sacrifício não era o sentido negativo,
isto é, para evitar a idolatria, mas sim um alvo positivo: despertar,
pelo sacrifício oferecido, sentimentos de remorso pelo mal praticado e
avivar a responsabilidade que cada ser humano deve ter perante D’us e a
sociedade. “boas ações estimulam a consciência”. E Nachmânides conclui:
Aquele sacrifício, dádiva ou oferta que não é nada mais que simples
rotina, que não tem bases éticas, que é despido de sentimentos elevados,
é considerado por D’us como sendo Zébach Reshaim, oferta ignóbil, e
deve ser desprezado.” (MD)
Fará queimar no altar 1:17 – tentaremos
interpretar estes ensinamentos do ponto de vista alegóricos, um
instrumento profundamente ilustrativo e instrutivo; Dám (o sangue)
simboliza temperamento, agilidade, atividade, enquanto que Chélev (sebo,
gordura) significa passividade, preguiça, estagnação. De ambos, Dám e
Chélev, o homem necessita: atividade -para praticar o bem e cumprir boas
ações; passividade- para evitar e fugir de más ações. Mas acontece,
como a vida nos ensina, que o homem desvirtuado troca os papeis,
abusando das dádivas de D’us para fins contrários; e é por isso que se
sacrificavam no altar essas duas partes, sangue e gordura, que o pecador
trazia. (MD)
Sacrifícios de pazes 3:1 – O
sacrifício de reconhecimento a D’us pela sua generosidade e bondade em
geral chamava-se Shelamim, palavra que expressava as idéias de paz,
pagamento ou remuneração. Oferecia-se em culto publico nas seguintes
ocasiões: na consagração de Aarão e seus filhos, na festa das semanas,
no fim da observância do Nazir, etc. quando uma pessoa oferecia o
sacrifício de Shelamim, comia de sua carne como refeição sagrada e
entregava o peito e a espádua direita do animal aos sacerdotes.
Pertenciam a esta categoria de sacrifício o cordeiro da Páscoa (Zebach
Pêssach), o sacrifício de inauguração (Miluim), o do primogênito do
gado, cuja carne pertencia aos sacerdotes. Quando o Shelamim expressava o
reconhecimento por uma bondade especial de D’us, chamava-se Zebach
Toda, sacrifício de agradecimento.
Sacrifício de pecado 4:24 - O
sacrifício de pecado chamava-se Chatat e oferecia-se por faltas
involuntárias de transgressão de algum mandamento da Lei, como por
exemplo: ter recusado testemunhar sobre algum fato visto ou conhecido;
ter tocado em alguma coisa impura e, por esquecimento, usado a seguir um
objeto sagrado; ter profanado um juramento, etc. Este sacrifício era
oferecido pelo pecador involuntário logo que tomava conhecimento da sua
transgressão. Ele confessava a sua falta perante o sacerdote encarregado
de fazer o seu sacrifício para perdoar o seu pecado. O caráter
altamente moral deste ato obrigava a pessoa reconhecer sua culpa e ficar
em paz com a sua consciência.
E lhe será perdoado 4:26 – O
termo Corbán (sacrifício) tem a sua origem etimológica no verbo
Lecarev, que significa “aproximar”, “juntar”, “unir”. Esta explicação é
de máxima importância para a maneira de pensar e para a concepção
filosófico-judaica, pois só desta forma conseguiremos compreender o
valor ético e moral dos sacrifícios. O sacrifício de oferta de elevação
vem redimir os pecados cometidos pelos pensamentos; o de pazes expressa a
tranqüilidade existente na alma do homem, entre ele e D’us; a oferta de
delito dá à pessoa a sensação de que ele próprio deveria ser
sacrificado, e ele agradecer a D’us que não o
tratou de acordo com seus pecados, mas aceitou seu arrependimento. A
forma superior de oferecer um sacrifício é aquela pela qual o ofertante
oferece-o voluntariamente, do fundo de sua alma. Os sacrifícios
constituem a expressão de desejo da alma pela proximidade de D’us; tais
oferendas são feitas segundo a vontade do ofertante, e por isso são
aceitas pelo Criador. (E)
Sacrifício de pecado 5:9 – O
rabino Moshê Grylak cometa que o pecado é um ato que não está de acordo
com a consciência humana. É a efervescência de instintos e impulsos, e a
rendição da pessoa aos mesmos. A pessoa que busca a unidade, a elevação
e a perfeição é golpeada ao pecar. Ela sente que suas ações a afastaram
de D’us. De acordo com o Sêfer Hachinuch, “os princípios dos corações-
pensamentos e sentimentos- dependem das ações. Assim, aquele que fizer
um pecado, não poderá purificar seu coração apenas através de palavras
que venha a dizer para si entre quatro paredes: ‘Pequei, não voltarei a
fazê-lo’, mas sim terá uma ação importante por seu pecado, como pegar um
bode de seu curral e levá-lo aos sacerdotes... A partir de toda esta
ação laboriosa, ficará gravada em seu coração a maldade do pecado,
evitando que o cometa novamente.” Assim, a uma ação contrapõe-se outra
ação. Diante do ato do pecado, do qual toda a personalidade do homem
participou, vem um ato reparador como reação, do qual toda a
personalidade do homem deve participar. E o Sêfer Hachinuch explica de
que forma: “Ao se sacrificar um animal, há um despertar maior da
semelhança, pois os corpos do homem e do animal assemelham-se,
diferenciando-se antes de tudo pela razão que um possui e o outro não. E
como o homem, ao cometer um pecado está escapando da esfera racional e
entrando na esfera animal, foi-lhe ordenado que trouxesse um corpo de
carne e osso, assim como o dele, e o queimasse, ficando gravada em seu
coração a imagem forte de que a essência de um corpo sem razão e juízo é
nula e vã.” Em outras palavras, o choque causado pelo sacrifício do
animal despertará na imaginação do pecador o reconhecimento da
bestialidade do pecado; em última análise, um ato contrário à sua
própria consciência. O sacrifício é, portanto, um processo purificador
da alma de modo a elevá-la novamente. Trata-se de uma jornada ao
interior do ser humano que se regenera. (E)
Fazer falsidade contra o Eterno 5:21 – O
Talmud (Lei oral) explica: uma pessoa entrega um objeto valioso sob
custódia sem que ninguém saiba deste ajuste, confiando na boa fé do seu
amigo e na presença de um terceiro entre eles (D’us!); depois, caso o
segundo negue que recebeu algo em custódia, ele estará declinando também
o terceiro, quer dizer, ele estará contestando a existência Daquele
invisível mas Onipresente Terceiro, para quem todas as combinações e os
ajustes entre os homens devem ser feitos com fidelidade mútua e
sinceridade recíproca. (MD)” (Fonte: Torá da livraria e Ed. Sêfer).








