A História da Culinária Judaica através dos Tempos
“A forma pela qual os povos preparam os alimentos
contam um pouco da sua história. A maneira de cozinhar dos judeus narra
a trajetória de um povo que mantém-se unido pelas suas tradições”.
O povo judeu ao longo dos anos, forçado a mudar constantemente de
país, acabou criando e fortalecendo as suas raízes também
através da sua culinária. A comida acabou sendo o símbolo
da continuidade, o laço com o passado influenciado também pela
cultura nos quais as comunidades judaicas se estabeleceram ao longo dos séculos.
De acordo com a tradição judaica, a comida ocupa lugar de destaque nas festividades e comemorações religiosas. Cada festividade tem pratos típicos correspondentes, com papel definido no ritual. Como a Matzá em Pessach, a Chalá no Shabat.
De acordo com a tradição judaica, a comida ocupa lugar de destaque nas festividades e comemorações religiosas. Cada festividade tem pratos típicos correspondentes, com papel definido no ritual. Como a Matzá em Pessach, a Chalá no Shabat.
A refeição que é associada a um ato religioso se reveste
de espiritualidade e é conhecida como seudat mitzvá. Entre os
atos de seudat mitzvá estão a refeição servida
após a cerimônia de casamento, de brith milá e do pidion
haben. Quando o estudo de um grande trecho do Talmud é concluído,
realiza-se uma celebração e uma refeição festiva
para os alunos.
NASCIMENTO
O nascimento de uma criança é um dos acontecimentos
mais importantes, principalmente se for menino. Nessa ocasião prepara-se
pratos especiais, que variam de acordo com a região. Na Catalunha (Espanha),
a refeição antes da apresentação do recém
nascido era composta por galinha, arroz e mel. Em bairros judaicos do Oriente
Médio, comiam-se as chamadas “fatias de nascimento” , ou
Torrijas, com as quais se presenteavam as mães que acabavam de dar
a luz. Esse costume prevalecia em Toledo, na Espanha até há
pouco tempo.
Ao entardecer do sétimo dia após o nascimento era realizada
uma cerimônia chamada “Hadas” ou fadas, no sentido de “destino”
- em honra e homenagem dos recém-nascidos. Se fosse um menino esse
seria o primeiro passo para a circuncisão. Para as meninas, consistia
no “Simchat Bat” de Israel atual, em que a menina recebe seu nome
hebraico e as “fadas”, isto é, os bons votos de sua comunidade
para que tenha um destino feliz. Além de bolos, também eram
servidos vários tipos de doces e confeitos de amêndoas.
CASAMENTO
A Almosana, costume comum entre os judeus de Salonica, começava no
Sábado anterior à semana das núpcias e contava basicamente
com a presença de mulheres. Na ocasião eram servidos doces e
bebidas. O banquete nupcial se realizava depois do anoitecer, em companhia
dos familiares e amigos mais próximos. As vezes, era oferecida uma
pequena recepção em que eram servidas guloseimas bem açucaradas
e tarales (roscas grandes feitas a base de farinha, óleo e açúcar).
Depois de terem aberto a recepção e recebido a bênção
do pai, os recém-casados se retiravam. Atualmente ainda é costume
a mãe da noiva colocar pequenos doces e bombons sob os travesseiros
do casal, para que os noivos adocem a boca da vida que iniciam.
Depois da cerimônia do casamento, começava a semana das festas
nupciais. O marido agradecia os convidados, oferecendo roscas e tarales preparados
por sua mãe. Em algumas comunidades, encerrava-se a semana de comemorações
com o Dia do Peixe. Começava com a ida do recém-casado, bem
cedo, comprar os peixes. Estes eram colocados em uma bandeja no chão
e a noiva deveria passar três vezes sobre a bandeja, enquanto os presentes
faziam votos para ela ser tão fértil quanto os peixes.
A esposa tinha o dever de não romper os laços afetivos com
a sua própria família. Por isso, seguindo um ritual antigo,
sua mãe lhe colocava bombom ou um torrão de açúcar
na boca antes de atravessar o umbral da casa paterna, em direção
à nova vida.
LUTO
O luto rigoroso, pela perda de entes queridos, se estende também
à comida. A primeira refeição depois do enterro é
composta por ovo cozido e pão. Durante a Shivah -
semana de luto, as refeições são feitas no chão
ou sobre banquinhos, pois a mesa da casa tem o caráter de alegria e
abundância.
KASHRUT
As leis da Kashrut determinam o que é permitido
e o que é proibido comer (taref). A preparação dos alimentos
também seguem leis rígidas, especialmente quanto à proibição
de se misturar leite e produtos derivados com carne, ressaltando que não
se consome o sangue dos animais.
Dentre os legumes, as lentilhas tiveram um papel decisivo na história
do povo judeu, pois Esaú vendeu seu direito de primogênito para
Jacob, seu irmão, por um prato de lentilhas. O óleo também
sempre esteve presente na história do povo judeu. O rei Salomão
enviava óleo a Hirão I, rei de Tiro, em troca de materiais e
de artesãos para a construção do Templo. O óleo
de oliva também é mencionado em vários trechos da Tanach.
As frutas sempre tiveram destaque nas comemorações. Na mesa
de Rosh Hashaná a maçã, a romã e tâmaras
são importantes. A romã é o símbolo da fertilidade
e da abundância devido a suas inúmeras sementes. A uva merece
menção especial, pois dela se extrai o vinho, presente em todas
as rezas. Consumiam-se uvas frescas, secas ou em forma de bebida. As uvas
passas servem como ingrediente para bolos e doces.
A tradição judaica atribui a Noé a primeira experiência
com os efeitos do vinho.
Canaã é chamada, em diversas passagens da Torá, de
terra “onde corre o leite e o mel” o que indica o quanto o leite
era apreciado na região. Quanto ao mel, fazia parte dos produtos que
a região de Tiro importava de Judá e Israel.
CULINÁRIA DAS FESTAS JUDAICAS
Nas festas religiosas a mesa tem um lugar fundamental:
Shabat
Os preparativos para o Shabat são basicamente referentes
à comida.
Entre os judeus marroquinos, o prato principal do Shabat é o hamin,
também conhecido com o nome de adafina ou “coisa quente”.
Este prato tem como ingredientes básicos ovos cozidos, grão
de bico e carne, exala um aroma especial desde a véspera, quando é
lentamente preparado, já que no Shabat não se cozinha. Os judeus
ashkenazim tem um prato semelhante para o Shabat, o Tchulent, que é
um cozido de feijão branco, galinha, carne de peito e outros ingredientes.
Yom Kippur
O Yom Kipur , dia do Jejum, determina a proibição
de ingerir qualquer alimento ou bebida. Mas a comemoração começa
e termina com uma refeição festiva. A que precede o jejum é
uma refeição leve, geralmente a base de frango, sem temperos
fortes como pimenta e canela e sem bebida alcóolica, que provocam sede.
O jantar que o quebra é geralmente suculento. Come-se de tudo, salgados
e doces. Antigamente a refeição era à base de carne,
sopas e aves. Hoje a tendência entre algumas comunidades é preparar
uma refeição predominantemente à base de leite, mais
leve.
Sucot
Sucot – a Festa das Cabanas – começa
cinco dias depois de Yom Kipur. Durante uma semana as refeições
devem ser feitas dentro da cabana ou sucá. Servem-se pratos de salgados
e doces durante sete dias seguidos.
Purim
Purim é uma das expressões mais autênticas
do povo judeu. Aq leitura da Meguilá (o Pergaminho de Esther) é
feita na véspera, após o término do jejum – chamado
o Jejum de Esther – e também no dia seguinte, pela manhã.
É costume beber muito vinho. Em Purim é costume dar e receber
misloach manot – doces e outras guloseimas.
Pessach
A comemoração de Pessach dura oito dias e
o preparo dos alimentos requer cuidados especiais, pois deve-se fazer abstenção
de alimentos fermentados durante toda a festividade. A matzá, ou pão
não fermentado é o alimento característico.
CULINÁRIA SEFARADITA
Ao contrário dos pratos ashkenazitas, relativamente semelhantes entre
várias comunidades, a cozinha sefaradita é
extremamente variada e regional. Os judeus adotaram o tipo de comida dos países
nos quais viviam, mantendo sempre um toque pessoal e um sabor singular que
os diferenciava dos demais. A cozinha sefaradita difere de um país
para outro e, às vezes, até de uma cidade para outra. Há,
no entanto, uma certa unidade na preparação dos pratos encontrados
em várias regiões do mundo sefaradita.
A comida é sempre aromática e colorida. Usa-se todo o tipo
de condimentos e produtos que dão um gosto muito especial, como a famosa
água de rosas. A boa mesa sempre fez parte da tradição
dos judeus desta origem. Grande parte dos pratos provêm de Bagdá,
entre os quais as carnes cozidas com frutas, o xarope de romã e tamarindo,
as misturas agridoces. Os outros pratos, provêm da Espanha e alguns
originaram-se em Portugal, núcleos marranos.
Bibliografia
História da alimentação - Flandrin,
J.L. e Montani, M.
The book of Jewish Food – Roden, C.
The book of Jewish Food – Roden, C.
Fonte: br.geocities.com
Qualquer explicação sobre a cozinha de Israel passa pelos preceitos do “kashrut”, o rígido código sanitário e religioso que define dos alimentos de consumo permitidos aos cuidados com seu preparo.
São proibidos animais que rastejem, comam restos e andem nos lixos. A carne consumida pelos judeus ortodoxos precisa seguir uma série de normas desde seu abate. O animal deve ser morto sem violência ou sofrimento, e a carne tem de estar exangüe e sem gorduras. Não há, portanto, na culinária judaica, pratos com carne de porco.
O café-da-manhã é uma das refeições mais importantes em Israel. Nos kibutzim (colônias comunitárias agrícolas) uma farta mesa fica posta desde a madrugada. Pães variados, frutas e vegetais frescos, cultivados nas terras áridas trabalhadas com tecnologia e tenacidade, queijos, coalhadas, peixes defumados e marinados, creme de leite, geléias, mel.
Marcas do vagar do povo judeu pelo mundo estão nítidas nas receitas de peixes servidas em Israel. O arenque na salmoura, na melhor tradição do norte da Europa, ou um delicado peixe com nozes, de inspiração veneziana, são lembranças dos guetos habitados pelos judeus no século 16.
É impressionante a abundância de frutas em Israel. A cada estação, há frutas de todas as épocas, doces e frescas, prontas para o consumo. Nos kibutzim, tornou-se tradição apresentar, a cada estação, uma nova fruta que se conseguiu cultivar. Buscam soluções criativas que atendam, ainda mais, às necessidades do povo judeu.
Os doces, como tudo na cozinha judaica, também têm uma função significativa nas festas religiosas. No Rosh Hashaná, o Ano Novo, não pode faltar uma maçã com mel, para que se garanta um novo ano doce.
Um pouco de história
A culinária de um país reflete história, hábitos e costumes de seus cidadãos. Nada mais verdadeiro quando pensamos na comida judaica, que se adaptou às necessidades de seu povo no decorrer da história.Qualquer explicação sobre a cozinha de Israel passa pelos preceitos do “kashrut”, o rígido código sanitário e religioso que define dos alimentos de consumo permitidos aos cuidados com seu preparo.
São proibidos animais que rastejem, comam restos e andem nos lixos. A carne consumida pelos judeus ortodoxos precisa seguir uma série de normas desde seu abate. O animal deve ser morto sem violência ou sofrimento, e a carne tem de estar exangüe e sem gorduras. Não há, portanto, na culinária judaica, pratos com carne de porco.
O café-da-manhã é uma das refeições mais importantes em Israel. Nos kibutzim (colônias comunitárias agrícolas) uma farta mesa fica posta desde a madrugada. Pães variados, frutas e vegetais frescos, cultivados nas terras áridas trabalhadas com tecnologia e tenacidade, queijos, coalhadas, peixes defumados e marinados, creme de leite, geléias, mel.
Marcas do vagar do povo judeu pelo mundo estão nítidas nas receitas de peixes servidas em Israel. O arenque na salmoura, na melhor tradição do norte da Europa, ou um delicado peixe com nozes, de inspiração veneziana, são lembranças dos guetos habitados pelos judeus no século 16.
É impressionante a abundância de frutas em Israel. A cada estação, há frutas de todas as épocas, doces e frescas, prontas para o consumo. Nos kibutzim, tornou-se tradição apresentar, a cada estação, uma nova fruta que se conseguiu cultivar. Buscam soluções criativas que atendam, ainda mais, às necessidades do povo judeu.
Os doces, como tudo na cozinha judaica, também têm uma função significativa nas festas religiosas. No Rosh Hashaná, o Ano Novo, não pode faltar uma maçã com mel, para que se garanta um novo ano doce.
Fonte: sapo.pt








